A Insignificância
Não me assusto com a imensidão do
universo. Nem com o fato de sermos tão pequenos perante a uma infinidade de
universos e multiversos existentes. Não me assusto nem ao menos com a possiblidade
de haver vida em outros planetas. Isso não me faz insignificante. Me faz, entretanto,
sentir-me viva. Saber que, por pior que sejam meus problemas, eles são (assim
como eu) pequenos e irrisórios perante a imensidão da nossa existência. A terra
continua girando e geoide. O nosso sistema continuará sendo o solar. A nossa galáxia
continuará sendo a via láctea. E assim sucessivamente. A vida irá continuar, e
eu também.
O que realmente me faz sentir
insignificante é, contraditoriamente, a humanidade. O fato de ver tanta
injustiça e não conseguir muda-la. De saber que o que realmente move a vida é o
capital. De saber que a nossa vida vale menos do que o nosso lucro, assim como
a vida das outras pessoas. Somos egoístas. Isso é o pressuposto de sermos seres
humanos. Consideramo-nos como a espécie mais ‘’evoluída’’ da terra. Por isso
matamos para nos alimentar. Desmatamos para morar. Poluímos para nos
industrializar. E não nos importamos com as consequências. Não. Nós somos
guiados pelo princípio do agora. É assim que seguimos. O agora.
O agora importa ao momento vivido.
A sua vida. Nossas vidas, tão individualmente vividas, não nos permite abrir os
olhos para o mundo e as pessoas ao nosso redor. Perdemos a nossa sensibilidade,
e, de certa forma, até o respeito pelos outros. Certa vez, lembro-me ter feito
uma prova de um concurso. Estava lotado. Muitas pessoas esperando, no sol, o
portão se abrir. Uma dessas pessoas era uma menina, ao meu lado. Esta, passou
mal por problemas de pressão. Desmaiou. E, nessa imensidão de pessoas, apenas
se via olhares. Olhares de curiosidade, e não de preocupação. Olhares rápidos, mas
de desconcentração pela ânsia da avaliação. Dos ‘’concorrentes’’ que a
ajudaram, apenas eu. Juntamente com baleiros e mulheres ao redor. Naquele
momento, havia um fato muito mais importante que uma prova: Uma outra vida. Que
precisava de apoio. Ajuda. Água.
Somos mais do que andarilhos.
Nossa evolução não serviu para aumentar nosso ego e nem a nossa capacidade de destruição.
Falamos. Andamos. Pensamos. Somos mais do que existir, somos ser. Por isso seja você,
e seja o outro também. Só não seja inerte para si e para o mundo.
Yasmin Dantas
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