Conhece a ti mesmo


“Somos a soma das nossas decisões” – W. Allen.

Analisando essa frase, nesses momentos ''blow mind'' de sempre, consegui chegar a dois significados.

O primeiro é que podemos ser apenas um reflexo de alguém. A frase em si parece chocante, mas verídica. O meio em que somos criados, muitas vezes, determinam como se darão algumas das nossas atitudes, e, por consequência, quem somos. Desse modo, um filho de pais religiosos, por exemplo, provavelmente também será desta religião. Claro que existem as exceções (e não podemos exclui-las). Mas, analisando-se somente este caso, o filho poderá ser apenas um reflexo dos seus pais. Suas atitudes possivelmente serão pautadas nestes ideais. A sua vida terá como parâmetro os fundamentos de seu Deus. A sua esposa deverá ter a mesma crença, ainda que o seu amor seja por uma ateísta. Ou, quiçá, que a sua sexualidade não seja a heteronormativa.

O segundo é decorrente do primeiro, ainda mais chocante. Resulta-se do fato de que, dada essa perspectiva, o sentimento reprimido de (não) sermos quem somos – sem saber nem ao certo o que somos – é o grande mal que atinge o século XXI. Em tese, esse sentimento corrói desde a antiguidade, quando os parâmetros sociais foram formados. O maior problema hoje, entretanto, é que, diante deste angustiante conflito entre “ser” e “dever-ser”, buscamos suprir nossas próprias necessidades em superficialidades cotidianas. Afundamo-nos nas tecnologias, nas telas, nas conversas banais, no trabalho, e em qualquer meio possível para que a nossa angustia seja reprimida. O resultado disto é o outro mal que atinge a sociedade – diretamente ligado aquele – chamado de ansiedade. Somos ansiosos porque não sabemos o que somos. Nem porque somos. Nem o que fazer para saber como ser. Somos ansiosos porque colocamos todas as nossas expectativas em algo que, muitas vezes, nem sequer queremos, mas que dado ao grau de importância social que aquilo possui, precisamos cumpri-lo. Quando não cumprimos, frustramos-nos. Essa frustração nos corroí. Ela nos faz pensar que somos incapazes. Com ela vem a tristeza. Que se liga a outro mal do século: A depressão.

Se pararmos para pensar, todos esses fatores estão diretamente ligados ao principal tema desse texto: A busca pelo autoconhecimento. A vida seria mais fácil se, desde o princípio, nos adaptássemos sozinhos. A dependência e a super-proteção são meios pelos quais alguns pais se utilizam na criação de seus filhos. Digo isto por mim mesma. A minha infância e a minha adolescência foram pautadas na dependência e na superproteção. A fase adulta, entretanto, nos impõe responsabilidades e demandas severas, quando já estamos caminhando por nós mesmos. As escolhas se tornam mais difíceis, pois, a partir de agora, nós temos que traçar (sozinhos) nosso próprio caminho. E agora? Como ter certeza da decisão correta quando há uma infinidade de outras possibilidades?

Não sei ao certo se existe uma ''fórmula'' de autoconhecimento. Acho que o amadurecimento é o primeiro passo para se chegar lá. Mas, como meio de tentar resolver o conflito intenso desse processo, uma das formas a qual sugiro é um lançamento de desafio: A cada atitude que você tomar, ou pensar em tomar, pergunte a si mesmo: Esta escolha é (puramente) minha? Vejam, utilizei subitamente a palavra puramente – e não foi à toa. Todas as nossas escolhas são nossas. E elas serão um peso que carregaremos ao longo da vida. Mas, ao decidi-las, precisamos pensar o porquê das mesmas. Talvez então encontraremos, por consequência, o nosso querer. É uma análise complexa. Mas, como diria o sábio e grande Raul Seixas “é de batalhas que se vive a vida”. E é essa batalha que deve estar cravada no seu ser. 


Yasmin Dantas

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